“Entre a Lei e a Humanidade: Moraes Revoga Prisão Domiciliar de Idosa em Guarapuava”

 


Guarapuava vive mais um capítulo de tensão e controvérsia no campo da Justiça. Aos 68 anos, a aposentada e contadora Sônia Teresinha Possa tornou‑se o mais novo símbolo de um embate que vai além de uma sentença: trata‑se da colisão entre a letra fria da lei e a fragilidade de uma vida humana.

Sônia, diagnosticada com câncer de pele e uma série de graves complicações de saúde, havia conquistado, em setembro do ano passado, um alívio na sua rotina de sofrimento. 

O juiz da Vara de Execuções Penais de Curitiba, José Augusto Guterres, com base em laudos médicos detalhados, autorizou que ela cumprisse sua pena em prisão domiciliar, sob monitoramento eletrônico — tornozeleira eletrônica e o afeto da família em Guarapuava, onde seu filho reside.

Por quatro meses, Sônia viveu esse respiro de humanidade: só saía para consultas médicas, lutando contra a doença e tentando manter dignidade dentro de uma situação que tem, para muitos, contornos de tragédia.

Mas na última terça‑feira, o que parecia um alívio passageiro se transformou em choque e medo: o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou a sua prisão domiciliar e determinou que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) investigue o juiz que a havia libertado.

A aposentada foi, então, presa mais uma vez, desta vez durante um procedimento comum: ao se apresentar no Departamento Penitenciário de Guarapuava para entregar a resenha de um livro — força de lei para progressão de pena — acabou detida por ordem DE MORAES.

“Ela ficou quatro meses em casa, só saía para ir ao médico”, lembra com pesar a advogada Shanisys Massuqueto Butenes. O que era esperado como um pouco de humanidade — um tempo para tratamento, para respirar — foi substituído por uma decisão que devolveu Sônia ao ambiente restrito da Justiça penal.

Condenada em abril de 2024 a 14 anos de prisão, em regime inicialmente fechado, pelos crimes imputados por sua participação nos atos de janeiro de 2023, Sônia agora enfrenta novamente a dura realidade do sistema penal brasileiro — com saúde debilitada, longe de casa, sob custódia.

Esse caso levanta uma pergunta incômoda e urgente: até que ponto a aplicação da lei tolera a fragilidade humana? Quando um juiz, munido de laudos e do clamor por tratamento, decide libertar uma paciente terminal para cuidados essenciais — ele comete um erro? Ou apenas age com humanidade?

É esse tipo de tensão que transforma uma notícia em história — e vidas em metáforas de um tempo em que a justiça e a compaixão às vezes parecem estar em lados opostos. Até quando o Ministro vai continuar agindo contra senhoras que estiveram em Brasília tendo como arma uma Biblia na mão???

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