O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE‑PR) resolveu interromper a divulgação de uma pesquisa eleitoral que o Paraná Pesquisas preparava para o governo do estado e o Senado. A divulgação estava marcada para esta sexta-feira (6), mas agora vai ter que esperar. A decisão é liminar e provisória — até que o tribunal decida de vez sobre o mérito da questão.
O levantamento foi contratado pelo Partido Liberal (PL) e registrado no TSE sob o número PR‑06254/2026. Quem puxou o freio de mão foi o diretório estadual do PSB, comandado pelo deputado federal Luciano Ducci. Na visão do partido, a pesquisa não era confiável — e apresentava problemas que, se divulgados, poderiam desviar a atenção e influenciar o eleitorado.
O PSB apontou quatro problemas principais, mas dois chamam mais atenção:
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Indução de voto – O questionário associa alguns pré-candidatos a padrinhos políticos de peso, tipo “Requião Filho com apoio do Lula”, “Giacobo com apoio do Bolsonaro” e “Guto Silva com apoio de Ratinho Junior”. Outros concorrentes aparecem sozinhos, sem referência a ninguém. O PSB argumenta que isso pode influenciar o eleitor, criando vantagem para uns e desvantagem para outros.
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Cenários de segundo turno injustos – Sergio Moro aparece em todos os testes de segundo turno; Luiz França, por outro lado, não aparece em nenhum. Para o PSB, isso distorce a percepção de competitividade e dá visibilidade desproporcional a determinados candidatos.
A desembargadora responsável pelo caso entendeu que esses dois pontos podem mesmo desequilibrar a disputa e influenciar a opinião pública antes da análise completa da metodologia. Resultado: a pesquisa não pode ser divulgada por enquanto.
Outros dois questionamentos — sobre a auditoria de apenas 30% dos questionários e sobre a forma de agrupar faixas etárias — não convenceram a magistrada. Ela considerou que essas questões são detalhes técnicos que não comprometem a lisura geral da pesquisa.
Enquanto isso, o Paraná Pesquisas já recorreu da decisão, tentando liberar a divulgação. Ou seja: a guerra das pesquisas continua, mas, por enquanto, com uma pausa obrigatória.
No fundo, é aquele cenário clássico: pesquisa virou ferramenta política, disputa de narrativa e palanque antecipado. Quem ganha, quem perde e se o eleitor realmente entende alguma coisa? Isso fica para outra rodada.
