GUARAPUAVA FATOS

CRIANÇAS BÊBADAS: A VENDA IRRESPONSÁVEL QUE QUASE VIROU TRAGÉDIA EM PALMEIRINHA

 



Três menores, sendo uma criança de apenas 11 anos, compraram bebida em mercearia, beberam até cair e chegaram cambaleando na escola. O responsável? A dona do estabelecimento, que vendeu sem pestanejar.

Por Roberto Lobo  (para o Guarapuava Fatos)
07/04/2026 – 15h00 – Distrito Palmeirinha, Guarapuava


Era para ser mais um dia comum na escola do Distrito Palmeirinha. Mas o que o diretor viu na manhã de segunda-feira (07) faria qualquer pai de família perder o sono.

Três crianças – sim, CRIANÇAS – de 11, 13 e 14 anos entraram na instituição de ensino cambaleando, com fala pastosa e hálito etílico. Bêbados. Totalmente embriagados. E a história por trás disso é um retrato brutal da irresponsabilidade que ronda os nossos bairros.

 Tudo começou quando os menores entraram em uma mercearia – dessas de esquina, que deveriam zelar pela comunidade. Dentro do estabelecimento, a proprietária, uma mulher cuja identidade não foi divulgada, VENDEU bebida alcoólica para os garotos. Sem pedir documento. Sem questionar a idade. Sem qualquer sinal de bom senso.

O que aconteceu depois? O roteiro do horror: os três pegaram as latinhas, foram até um segundo mercado – provavelmente para não levantar suspeitas – e entornaram tudo ali mesmo, às margens do fim da manhã. Depois, com a mente já turva pelo álcool, seguiram para a escola. Era hora de estudar? Não. Era hora de desmaiar na carteira.

O diretor, ao ver o estado lastimável das crianças, não titubeou: chamou a Polícia Militar. E quando os agentes chegaram, a cena era deplorável. Meninos de 11 anos com sintomas claros de embriaguez. Onde estava a família? Onde estava o Estado? Onde estava a fiscalização?

Os menores, ainda sob efeito do álcool, confirmaram tudo. Compraram. Beberam. Passaram mal. E os responsáveis legais foram acionados. Correram para a delegacia de plantão, claro. Depois do estrago feito, sempre aparece um adulto arrependido.

Mas a ficha não cai só nos pais, não. A equipe policial fez o que precisava ser feito: conduziu os menores, os pais e – ATENÇÃO – OS DONOS DOS DOIS ESTABELECIMENTOS até a delegacia. Isso mesmo. A merceeira que vendeu a bebida para uma criança de 11 anos também teve que prestar contas. E o outro mercado, onde o consumo foi feito, também.

Todos colaboraram. Não houve algema, não houve força. Mas isso não ameniza o tamanho da vergonha.

E fica a pergunta que ecoa nos corredores da escola Palmeirinha: quantas outras crianças estão comprando bebida nesses mesmos balcões? Quantas vão precisar parar num hospital – ou pior – para que alguém finalmente cumpra a lei?

O Conselho Tutelar deve ser acionado. O Ministério Público também. E o Guarapuava Fatos vai continuar em cima desse caso, porque o silêncio cúmplice é o melhor amigo do irresponsável.

Enquanto isso, três garotos – um deles com apenas 11 anos – vão carregar na memória o gosto amargo de uma manhã que nunca deveria ter existido.

Roberto Lobo é correspondente investigativo do Guarapuava Fatos. Esta reportagem foi apurada  junto às fontes oficiais.

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