Era, Segunda-feira, 5 de outubro. Nove e vinte e dois da manhã. Vila Carli, Guarapuava.
O funcionário chega para trabalhar. Quarenta e seis anos. A chave na mão, o turno na cabeça. Empurra a porta do barracão e encontra o escuro. Não é noite. É o dia. E o dia, ali, não acende.
A fiação sumiu.
Alguém entrou no fim de semana. Não pela porta. Por um buraco aberto na estrutura. Um rasgo no galpão, feito com pressa e com método. Passaram, arrancaram o cobre, levaram o alumínio e foram embora antes do sol de segunda. O que ficou foi o silêncio de um lugar que deveria funcionar e não funciona.
A quantidade de alumínio? Não se sabe. Ninguém contou. Não havia câmera. Não havia alarme. O barracão estava sozinho, e quem passou por ali sabia disso.
A Polícia Militar foi chamada. Patrulhou a região. Orientou a vítima. Lavrou o boletim. Até agora, nenhum nome. Nenhum rosto. Nenhum preso.
Fica a pergunta que o buraco na parede não responde: quem entrou, o que levou de fato, e por que um galpão em Guarapuava pode ser aberto no sábado e só ser descoberto na segunda, quando o homem de quarenta e seis anos chega para trabalhar e encontra a escuridão no lugar da energia.
O caso segue com as autoridades. A fiação, não.


