Antes de tudo, uma pausa. É preciso olhar nos olhos da história para enxergar o que ela realmente tem a dizer.
O que aconteceu em Pitanga não foi só uma enchente. Foi um teste de caráter. A cidade vizinha de Guarapuava viu a água subir, casas caírem, comércios desaparecerem.
Cento e cinquenta milímetros de chuva em um único dia. Quatrocentas e quarenta pessoas fora de casa.
Gente trabalhadora e honesta, todos , de mãos dadas com a Defesa Civil, correndo contra o tempo.
Amigos e inimigos políticos, lado a lado, numa corrente do bem unidos a prefeitura, o Sargento Moraes, que está prefeito, um policial de carreira, sargento de formação unido as forças vivas para ajudar . Enfim … Quase todos.
E foi justamente nesse cenário de dor que uma influencer da cidade resolveu aparecer.
Não para ajudar. Não para estender a mão. Mas para Mas para tripudiar.
Com humor negro. Ridicularizando o sofrimento de mães, pais, filhos. Transformando a desgraça alheia em conteúdo. Em palco. Em like.
O jornalista Paulo Wolf, meu amigo de longa data, não se calou. Detonou.
E a cidade, em peso, ficou ao lado dele.
Sabe por quê?
Porque a internet é um instrumento vivo. Eu vivo dela há anos.
Deixei a direção de rádio e TV para me dedicar a este empreendimento digital.
Sei da força que ela tem. Para o bem. E para o mal.
Sempre que houver uma grande história, estaremos lá.
E esta é uma grande história. Não a da influencer. A de Pitanga.
A de quem enfrenta a tempestade, estende a mão e tira pessoas da enchente.
Isto é um ato de quem supera. De quem faz a diferença. O resto é o dejeto da sociedade.
A grande mãe do jornalismo investigativo é a inquietação.
E a minha inquietação, agora, é outra: até quando vamos dar palco para quem lucra com a tragédia dos outros? Parabéns, Wolf, pela coragem.
Parabéns, Pitanga, por lutarem juntos. Contem com este pseudo jornalista para o que precisarem.
Minhas vaias à influencer do mal.
