A Polícia Civil do Paraná (PCPR) desencadeou uma operação de grande envergadura nesta quarta‑feira (18) para o cumprimento de cinco mandados de busca e apreensão no contexto de uma investigação que mira um suposto esquema de associação criminosa, concorrência desleal e violação de segredo industrial. As diligências foram realizadas em São José dos Pinhais, Guarapuava, Brusque, Itapema e Pomerode — nos estados do Paraná e de Santa Catarina.
A investigação começou a ganhar força após uma denúncia formal apresentada por advogados de uma empresa do setor químico que atua há décadas no desenvolvimento de tecnologias industriais voltadas à indústria de papel, celulose e têxtil. Segundo documentos judiciais, procedimentos internos de compliance identificaram indícios de uso indevido de informações estratégicas e tecnologias confidenciais pertencentes à companhia, que teriam sido utilizados indevidamente por concorrentes após a saída de profissionais com acesso a dados sensíveis.
Essas informações — que incluem fórmulas exclusivas, processos industriais, redes de fornecedores e métodos de aplicação confidenciais — são considerados segredos industriais protegidos por lei e representam anos de investimento em pesquisa e desenvolvimento. O suposto uso irregular desses dados teria permitido a reprodução ilícita de tecnologias e produtos no mercado, em prejuízo direto à empresa lesada e à livre concorrência.
Segundo o delegado responsável pela investigação, partes dessas informações poderiam ter sido apropriadas por empresas concorrentes sediadas em Santa Catarina logo após a migração de profissionais que tinham acesso privilegiado aos dados estratégicos, o que teria facilitado a produção de soluções semelhantes no mercado.
📌 Os mandados de busca e apreensão autorizados pelo Poder Judiciário abrangeram não apenas as sedes envolvidas, mas também as residências de quatro pessoas diretamente ligadas à apuração. No curso das diligências foram apreendidos:
Equipes da Polícia Científica do Paraná (PCIPR) também foram acionadas para coletar amostras de substâncias químicas produzidas pela empresa investigada, com o objetivo de viabilizar comparações laboratoriais que possam confirmar ou refutar a suposta reprodução de fórmulas protegidas.
“A investigação envolve empresas relevantes do setor químico nacional e busca esclarecer se houve a utilização indevida de informações industriais protegidas, eventual reprodução ilícita de tecnologias e práticas de concorrência desleal no mercado”, afirmou o delegado da PCPR.
Todo o material apreendido será submetido a análise técnica detalhada, incluindo a extração de dados de dispositivos eletrônicos e a avaliação pericial dos produtos coletados. A polícia reforça que as investigações seguem em andamento e que novas diligências ainda poderão ser realizadas para o completo esclarecimento dos fatos e a responsabilização criminal dos envolvidos
