A ultima promessa ele não cumpriu, não voltou.... Descanse em Paz meu irmão
Meus senhores, minhas senhoras, gente de Guarapuava, gente do rádio, gente de alma!
Voz com timbre inconfundível. Dessas que a gente reconhece antes de ver o rosto. Dessas que entram pela janela da cozinha, pelo rádio do carro, pelo coração da cidade. Celso Pinheiro tinha essa voz. E se orgulhava — com justiça e com honra — de estar há 40 anos na mesma empresa, firme como um pinheiro dos campos de Guarapuava.
Ah, mas ele não era daqui! Era mato-grossense de nascimento. Um legítimo filho do cerrado. Mas o destino, esse velho violeiro, trouxe Celso para o Paraná, e há 40 anos ele mudou a história do rádio na Difusora de Guarapuava. E como mudou!
Porque não basta ter uma voz única. Nesta terra, meu amigo, tem muita gente com microfone. Mas poucos têm um coração único. E Celso Pinheiro tinha um coração aberto, escancarado, desses que a comunidade batia à porta e ele dizia:
“Entre, chore, peça, que eu vou ajudar!”
Pois saibam: ontem, o rádio encostou numa frequência silenciosa. Hoje, na manhã desta quarta-feira, o coração que tantas vezes bateu pelos outros parou de bater.
O radialista Celso Pinheiro morreu. A notícia caiu como uma bigorna nos estúdios da Rádio Difusora, no grupo Mattos Leão. E o silêncio, ah, o silêncio doeu mais do que qualquer notícia ruim que ele já tenha narrado.
A ÚLTIMA CONVERSA – A PROMESSA QUE O DESTINO NÃO DEIXOU CUMPRIR
Na nossa última conversa — eu, que ele chamava de “Lobo”, e ele, que eu chamava de “Fera” — Celso Pinheiro já não era a voz de aço que dominava o dial. Não. O timbre estava enfraquecido. A saúde, traiçoeira, avançava como tempestade no horizonte. Mas o espírito? O espírito estava ali, inteiro, brincando com a dor.
Foi quando ele fez a única promessa que não pôde cumprir em 40 anos de vida pública.
“Logo volto.”
Ah, Celso... Você mentiu pela primeira vez. Você não voltou. O microfone continua ali, à sua espera. O fone de ouvido, mudo. O programa “Combate” — que foi sua trincheira na cobertura policial, sua missão de levar aos lares guarapuavanos as ocorrências, os dramas, os alertas — o “Combate” hoje está sem general.
UM ESTILO FIRME, UM HOMEM HUMANO
Dono de uma voz que impunha respeito, mas que sabia afagar quando a notícia era dor. Celso Pinheiro marcou gerações.Quanta gente não acordou com ele? Quantos não aprenderam a desconfiar, a se cuidar, a proteger a família ouvindo suas palavras?
Ele não fazia jornalismo para aparecer. Fazia para acontecer. Informava com responsabilidade. Alertava com seriedade. E acolhia com uma sensibilidade que não se ensina em faculdade nenhuma — Deus botava diretamente no peito.
Para muitos, sua voz era a rotina. O relógio da cidade. O elo entre o fato bruto e a comunidade que precisava entender o mundo.
E AGORA, LOBO? E AGORA, GUARAPUAVA?
Tenho a triste missão de dar esta notícia. E que missão pesada, meu Deus! Prefereria estar anunciando uma festa, um prêmio, uma volta triunfal. Mas não. Hoje eu, Lobo, digo ao milhão que me acessa:
Celso Pinheiro não volta. O rádio parou. O coração que mais batia pelos outros, silenciou.
Mas uma coisa eu garanto, e ponho minha mão no fogo por isso: voz assim não morre. Vira memória. Vira história. Vira saudade que aperta, mas também vira exemplo.
Descanse, Fera. Você fez mais do que prometeu. Você fez Guarapuava ser maior.
Que a terra lhe seja leve. E que o rádio do céu tenha finalmente ganhado seu melhor locutor.
Celso Pinheiro presente!
