A aritmética não mente. A política insiste em desafiá-la.
Em Guarapuava, 12 nomes já se colocam na disputa por uma cadeira na Câmara Federal em 2026. Pedro Moraes (MDB), Cristina Silvestri (PP), Rangel (PRD), Professor Saulo (Novo), Shanisys (PL), Amigo Joel (PL), Janaína Naumann (Republicanos), Glauberson Rocha (Missão), Estacho (Podemos), Professora Terezinha (PT), Gilson da Ambulância (PSB) e Samuel Ribas (UB). Uma lista heterogênea que espelha a fragmentação partidária do momento.
O colégio eleitoral da cidade soma 133.671 eleitores aptos. O coeficiente eleitoral projetado para o Paraná gira em torno de 210 mil votos. A conta é simples e cruel: mesmo que todos os guarapuavanos votassem no mesmo candidato, ainda faltariam mais de 76 mil votos para atingir o quociente. Em outras palavras, o eleitorado local, sozinho, não elege ninguém para Brasília.
Tentaram contestar os números. Quiseram desdizer. No fim, repetiram a mesma aritmética que é implacável. Para um candidato já é difícil. Para doze, é matematicamente inviável se a base for apenas Guarapuava.
A eleição para deputado federal é estadual. O voto de Guarapuava vale o mesmo que o de Foz do Iguaçu, Londrina ou Curitiba. Quem quiser a cadeira precisa romper a fronteira do município, conquistar eleitores em outras regiões, construir capilaridade e, claro, dispor de recurso e exposição. A disputa local é apenas a largada de uma maratona muito mais longa.
Resta a pergunta que a política prefere não responder com clareza: o que move doze postulantes a entrar nessa corrida sabendo que a matemática local é hostil? Parte da resposta pode estar nas verbas partidárias e na lógica de ocupação de espaço. Em política, às vezes o objetivo não é apenas vencer — é estar no jogo, marcar posição e disputar o que sobra do bolo.
A aritmética continua no mesmo lugar. Quem quiser desafiá-la terá de provar, com votos de todo o Paraná, que a conta pode ser invertida.
