A Conta que Não Fecha: 12 Candidatos em Guarapuava e o Sonho de um Voltar a Brasília

 


"Eu já estive lá. Sei o caminho. Quero voltar." Se  Estacho conseguirá, só o tempo — e os votos de todo o Paraná — dirão. OS 11 TEM QUE BUSCAR A REGIÃO OU ...

A aritmética não mente, mas a política insiste em desafiá-la. Em Guarapuava, a principal cidade do Centro-Sul paranaense, um fenômeno curioso promete agitar as eleições de 2026. Um levantamento preliminar já contabiliza nada menos que 12 postulantes com domicílio eleitoral na cidade na corrida por uma vaga na Câmara Federal. A lista é heterogênea e reflete a fragmentação partidária atual: Pedro Moraes (MDB), Cristina Silvestri (PP), Rangel (PRD), Professor Saulo (Novo), Shanisys (PL), Amigo Joel (PL), Janaína Naumann (Republicanos), Glauberson Rocha (Missão), Estacho (Podemos), Professora Terezinha (PT), Gilson da Ambulância (PSB) e Samuel Ribas (UB).

Até aí, nada que fuja à regra em anos eleitorais. O problema — e ele é grande — reside nos números que regem a disputa. Guarapuava tem, hoje, 133.671 eleitores aptos a votar. O coeficiente eleitoral do Paraná para 2026, por sua vez, é projetado em aproximadamente 210 mil votos. Traduzindo: mesmo que cada um dos 133.671 guarapuavanos depositasse sua confiança em um único nome, ainda assim faltariam mais de 76 mil votos para que esse candidato alcançasse o quociente necessário para garantir a cadeira em Brasília.

A conta é simples e implacável: o tamanho do colégio eleitoral local é insuficiente, por si só, para eleger um deputado federal.

Diante desse cenário, uma pergunta se impõe: o que move 12 políticos experientes a lançarem suas candidaturas sabendo que, matematicamente, a vitória no primeiro turno é praticamente inviável se dependerem apenas dos votos de sua própria cidade?

A resposta está na natureza do jogo político. A eleição para deputado federal é estadual — o voto dado em Guarapuava vale o mesmo que o voto dado em Foz do Iguaçu, Londrina ou Curitiba. Portanto, para um candidato guarapuavano ser eleito, ele precisa, obrigatoriamente, romper as fronteiras do município e conquistar eleitores em outras regiões do Paraná. A disputa local, na prática, é apenas a largada de uma maratona que exige capilaridade, articulação regional e, claro, muito recurso e exposição.

É nesse cenário que o nome de Rodrigo Estacho (Podemos) ganha um peso especial. Diferente dos outros 11 concorrentes, Estacho não é um estreante em Brasília. Em 2022, ficou como primeiro suplente do PSD e, com a nomeação da Deputada Leandre para Secretaria da Mulher e Igualdade Racial , assumiu a cadeira na Câmara dos Deputados em fevereiro de 2023. Ou seja: ele já ocupou a vaga, já votou projetos, já usou a tribuna e já conhece os corredores do poder. Agora, em 2026, ele trocou o PSD pelo Podemos e busca não apenas uma vaga, mas a reeleição — algo que nenhum candidato de Guarapuava consegue desde 2015, quando o mandato de Cezar Silvestri se encerrou.

O que se vê, então, é uma competição dentro da competição. Os 12 candidatos não brigam apenas entre si; brigam, sobretudo, pelo direito de representar o Centro-Sul paranaense no tabuleiro estadual — e, com isso, tentar atrair votos de cidades vizinhas como Pitanga, Laranjeiras do Sul e Prudentópolis, que juntas podem complementar a votação necessária. Mas Estacho tem um trunfo que os demais não possuem: a experiência de quem já sentou naquela cadeira.

Há ainda um dado que agrava o cenário local: a pulverização. Com 12 nomes dividindo o eleitorado de 133 mil pessoas, a tendência é que cada um obtenha uma fatia pequena do bolo — salvo raras exceções de candidatos com forte apelo regional ou nacional. Esse efeito dispersivo reduz ainda mais a chance de alguém alcançar uma votação expressiva que sirva de trampolim para o resto do estado. Para Estacho, que já provou ter capilaridade em 348 cidades do Paraná em 2022, o desafio é converter a experiência de suplente em votos de fato.

Enquanto isso, a Justiça Eleitoral já confirmou que o Paraná terá, em 2026, 8.609.026 eleitores em condições de participar do teste das urnas — um número que distribuirá as 30 vagas da bancada federal. Para os 12 candidatos de Guarapuava, a equação é clara: a eleição não se ganha em casa, e o desafio vai muito além de vencer o vizinho.

No fim das contas, a história de Guarapuava em 2026 pode ser resumida como uma tentativa coletiva de transformar 133 mil votos em um trampolim para os 210 mil necessários. E entre todos eles, Estacho é o único que pode dizer: "Eu já estive lá. Sei o caminho. Quero voltar." Se conseguirá, só o tempo — e os votos de todo o Paraná — dirão.

GUARAPUAVA FATOS

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