Naquele trecho da BR-277, em Morro Alto, o tempo parecia correr como em qualquer outra tarde comum de Domingo . Eram por volta das duas da tarde quando a rotina de um estabelecimento comercial foi interrompida por uma ausência — silenciosa, quase imperceptível à primeira vista, mas carregada de prejuízo e inquietação.
Os criminosos não precisaram de armas, nem de confronto. Agiram como quem conhece o valor do silêncio. Primeiro, ultrapassaram os limites do pátio, rompendo a fronteira invisível que separa o “lado de fora” do espaço privado. Depois, arrombaram a porta. Um gesto simples, rápido, que abriu caminho para o furto.
Lá dentro, levaram o que coube nas mãos e na oportunidade: cheques, uma televisão de 42 polegadas da marca Samsung e outros objetos menores, daqueles que, somados, contam uma história maior de invasão e perda. O local, desprovido de câmeras de monitoramento, não deixou imagens — apenas a marca da ausência, o rastro de uma ação que se faz notar justamente pelo que não está mais ali.
A vítima foi orientada pelas autoridades. Orientada a registrar, a contabilizar, a tentar recompor o que foi levado. Mas há perdas que não cabem em boletim de ocorrência: a sensação de violação, o desconforto de saber que alguém cruzou a sua porta sem permissão, à luz do dia, em plena rodovia que corta a cidade.
Em Guarapuava, naquela tarde de 22 de fevereiro, não foi apenas um furto qualificado. Foi mais um capítulo de uma história que se repete em silêncio, enquanto a cidade segue em frente, tentando entender como, em meio à normalidade do cotidiano, alguém consegue entrar, levar e desaparecer.
