Ratinho, Sandro Alex, Renan e o pedágio do Páraná
O anúncio de ontem segunda‑feira (13/4) pelo governador Ratinho Jr. (PSD) de que o deputado Sandro Alex (PSD‑PR) será o candidato do bloco governista ao Palácio Iguaçu tem sabor de urgência e risco calculado. O timing surpreendeu parte da base — e explica muito do nervosismo político que vem se acumulando.
• Primeiro ponto: a escolha saiu depois de meses de indecisão. Ratinho vinha sinalizando preferência por Guto Silva (PSD), ex‑secretário das Cidades.
Mas Guto não decolou nas pesquisas internas nem conseguiu unificar a base. Derrotas locais — como o revés em Pato Branco, onde aliados saíram derrotados na cidade de GUTO — minaram sua capacidade de agregar.
• Segundo ponto: O NOVO UNGIDO - Sandro Alex não chega imune. Há um histórico recente que preocupa: em Ponta Grossa seu grupo perdeu para a atual prefeita Elizabeth , alias cria dele mesmo e depois rebelada, levou a prefeitura — resultado que alimentou dúvidas sobre sua capacidade de transferir votos em larga escala. Pergunta óbvia: tem Sandro corpo eleitoral para disputar o governo?
• Terceiro ponto, talvez o mais explosivo politicamente: a questão do pedágio. Sandro Alex carrega a pecha de ter sido protagonista com apoio do PT de LULA na retomada de contratos que haviam sido encerrados no Paraná — o chamado renascimento do pedágio.
Para boa parte dos caminhoneiros e de setores produtivos, esse tema é combustível eleitoral.
Trazer de volta um candidato associado à reimplantação do pedágio é apostar que a reação pública será administrável. Será?
A política raramente perdoa inconsistência narrativa. Sandro Alex precisará responder duas perguntas centrais, com pressa:
Como justifica a origem e a condução política da retomada do pedágio, especialmente diante do ressentimento de categorias que veem no pedágio um custo direto sobre sua atividade?
Pode transformar uma imagem de político ligado a interesses do contrato em uma narrativa de gestor que prioriza o interesse público?
Se a intenção era oferecer uma “bala de prata” — um candidato pronto para unificar o campo governista e neutralizar adversários — existe o risco real de que a munição seja de lata: barulho, brilho imediato, pouca penetração eleitoral e potencial de ricochetear contra a própria base, sobretudo entre caminhoneiros e setores que sofreram com a volta das praças de cobrança.
Conclusão: Ratinho Jr. apostou. Agora cabe a Sandro Alex explicar aos eleitores — especialmente aos que mais sentem o bolso — por que ele seria a alternativa para o Paraná.
Não é só política interna do PSD: é gestão de narrativa pública e controle de danos em um tema que queima.
O tempo e as explicações é que dirão se a jogada foi audaciosa ou uma aposta que sairá cara.
Voto o Rato tem, agora será que transfere?
Moro cresce e Requião Filho, mesmo aliado ao PT é hoje a segunda opção se der segundo turno!!
