O cenário político no Paraná acaba de ganhar contornos definitivos, mas com uma pulga atrás da orelha dos articuladores. No último sábado, dia 1º de agosto, a convenção estadual do PL oficializou, com pompa e circunstância, a candidatura do senador Sergio Moro ao Governo do Estado. O evento, realizado no Espaço Torres, em Curitiba, serviu para consolidar a chapa majoritária e enviar um recado claro: a direita quer mostrar força total para o pleito de 4 de outubro de 2026.
Mas, por trás dos discursos inflamados, o que se vê é um intenso jogo de xadrez nos bastidores. A decisão de deixar a ata da convenção "em aberto" até o dia 5 de agosto não é um detalhe burocrático. É um convite, um sinal verde para negociações de última hora. O alvo? O Republicanos.
O Jogo de Pressão e os Acenos ao Republicanos
Interlocutores do PL trabalham freneticamente nos bastidores. O objetivo é atrair o partido do deputado federal Pedro Lupion e do presidente da Assembleia Legislativa (Alep), Alexandre Curi, para dentro da trincheira de Moro. A oferta é tentadora: a vaga de vice-governador, hoje ocupada provisoriamente pelo empresário Edson Vasconcelos, poderia ser realinhada para acomodar os interesses dos novos aliados.
Se essa manobra vingar, o efeito será um terremoto na base governista. A saída de um partido do porte do Republicanos da aliança liderada pelo PSD de Ratinho Júnior — que tem o deputado Sandro Alex como cabeça de chapa — deixaria um vácuo de poder e força política.
As Peças no Tabuleiro
Enquanto o Republicanos mantém o suspense com sua própria convenção marcada para esta segunda-feira na Sociedade Urca, o tabuleiro se desenha da seguinte forma:
Chapa de Sergio Moro (PL): Oficializada com Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) na disputa pelo Senado. A coligação já conta com o apoio de Podemos e Democracia Cristã.
O Dilema do Republicanos: Dividido entre a lealdade atual à chapa de Sandro Alex e o apelo de uma nova aliança com Moro.
Alexandre Curi observa atentamente os movimentos do Palácio Iguaçu, enquanto Lupion não esconde de aliados sua preferência pela união com o ex-juiz.
A Contagem Regressiva: O dia 5 de agosto é o limite. Até lá, o "converseiro" político deve atingir seu ápice em Curitiba.
A pergunta que ecoa nos corredores do poder é: o Republicanos saltará para o palanque de Moro, alterando o equilíbrio de forças que desenha a sucessão estadual, ou permanecerá fiel aos seus compromissos originais? A resposta virá nas próximas horas, em um desfecho que promete definir os rumos da eleição mais disputada do Paraná.


