Sob o sol forte, entre pás, caminhões, asfalto quente e prazos apertados. Essa é a rotina implacável dos homens e mulheres que sustentam a infraestrutura urbana da cidade. Mas, por trás dos uniformes e do trabalho braçal diário, existe um peso invisível que quase nunca é exposto: a saúde da mente.
Na manhã de segunda-feira (21), os motores e as ferramentas deram lugar a uma pausa necessária.
A Secretaria Municipal de Obras reuniu seus servidores para romper o silêncio e encarar de frente um dos temas mais desafiadores da atualidade: os cuidados, a prevenção e a valorização da saúde mental no ambiente de trabalho e fora dele.
Para conduzir essa reflexão, a administração levou ao encontro o médico psiquiatra José Cleber Feliciano.
Diante de uma plateia acostumada com a força física da rotina das ruas, o especialista colocou em evidência as pressões emocionais, os gatilhos de estresse, a ansiedade e a urgência de não ignorar os sinais de sofrimento psicológico.
A titular da pasta, Tatiane Nezi, frisou que cuidar da infraestrutura do município começa, obrigatoriamente, por olhar para quem executa o serviço:
“Hoje estamos aqui com o doutor José Cleber trazendo informação para a nossa equipe sobre saúde mental. Nós reunimos os servidores para que eles pudessem ouvir um pouco sobre esse tema, que é tão importante e relevante, não só no meio profissional, mas também na vida pessoal de todos. Eu sempre enfatizo que os nossos servidores são a nossa prioridade”, afirmou a secretária.
Durante o diálogo, o psiquiatra destacou o efeito multiplicador desse tipo de iniciativa. Para José Cleber, a informação que entra na repartição pública não fica restrita às paredes do pátio de obras:
“São iniciativas como essa que fazem com que possamos levar informação para eles e eles ajudarem na comunidade”, ressaltou o médico, apontando que o acolhimento preventivo alcança a família e o convívio social de cada trabalhador.
A rotina de obras é pesada, o concreto exige esforço e as demandas da população não esperam. Mas iniciativas como essa deixam claro um princípio elementar da gestão pública: nenhuma estrutura resiste de pé se aqueles que a constroem forem esquecidos por dentro.
