Guarapuava diante do próprio espelho
O caso que abalou Guarapuava não ficou no asfalto. Ele atravessou o tempo, entrou no segundo ano e agora chega ao coração do poder público. O vereador Kenny Rogers Anacleto, conhecido como Kenny do Cartório, foi condenado em primeira instância a sete anos de prisão em regime semiaberto por atropelar e matar um idoso no bairro Jordão. Um crime que, segundo a Justiça, não foi um simples acidente.
Com a condenação judicial, o episódio deixa de ser apenas um processo criminal e passa a se tornar um teste de credibilidade para a Câmara Municipal de Guarapuava.
Um pedido formal de cassação do mandato, protocolado por uma cidadã, colocou o tema oficialmente na pauta do Legislativo. O documento solicita a abertura de procedimento nos termos da legislação vigente e do Regimento Interno da Casa, questionando se um vereador condenado por matar um cidadão pode continuar representando a população.
O presidente da Câmara, Pedro Moraes, comunicou oficialmente a Mesa Executiva, formada pelos vereadores Valdemar dos Santos, Pablo de Almeida, Gilson Moreira da Silva, Danilo Dominico e Rita Elizabeth Machado Felchak. Um ato protocolar — mas que carrega um peso político enorme.
Leandro entra em cena
É nesse ponto que o vereador Leandro Dobrychtop assume o protagonismo. Conhecido por sua postura combativa e por não recuar diante de pressões, Leandro foi direto: agora não há mais espaço para silêncio, adiamento ou conveniência política.
Ele declarou publicamente que não tem medo de enfrentar desmandos e que, com Kenny agora condenado pela Justiça, o pedido de cassação precisa, obrigatoriamente, ser analisado pela Comissão de Ética da Câmara.
“Espero que, agora que a Mesa já se reuniu, o pedido relacionado ao Kenny seja encaminhado à Comissão de Ética e que essa comissão atue com total imparcialidade. Está comprovado: o vereador matou um cidadão honesto, um trabalhador, que estava em cima da calçada. Nada mais justo do que a Comissão avaliar com urgência e encaminhar ao plenário, para que nós, vereadores, possamos decidir se cassamos ou não o mandato dele.”
Mais do que discurso, Leandro assumiu compromisso político. Disse confiar na seriedade dos colegas parlamentares e deixou claro que vai apoiar o presidente da Câmara, além de buscar votos e articulações internas para que o processo avance até o plenário.
Para ele, a decisão não pode morrer em gavetas nem ser sufocada por acordos de bastidores. Se for à votação, Kenny deve ser afastado no voto.
“Faço um apelo ao presidente da Câmara: conte comigo para que esse procedimento tenha andamento. Vou apoiar, vou dialogar e vou buscar apoio dos vereadores para que esse caso seja enfrentado de forma responsável.”
O recado aos que temem a Comissão
Em tom duro, direto e sem rodeios, Leandro também deixou um recado aos parlamentares que, nos bastidores, demonstram resistência ao avanço do processo — seja por medo, conveniência ou autoproteção.
“Se tem vereador com medo de que, no futuro, a Comissão de Ética possa tomar atitudes contra ele, a minha dica é simples: não matar, não roubar e não se envolver em corrupção. Quem faz um trabalho sério não precisa temer comissão, ética ou votação.”
A fala ecoou pelos corredores da Câmara como um aviso claro: o problema não é a Comissão de Ética. O problema é o que se faz fora da ética.
Mais do que um mandato
O caso Kenny Rogers deixou de ser apenas um processo judicial. Ele se transformou em um marco político e moral. A pergunta que agora paira sobre Guarapuava não é apenas se um vereador será cassado — mas que tipo de Câmara a cidade aceita ter.
A Justiça já falou.
Agora, a política precisa responder.
