Imagem ilustrativa de matéria semelhante
Às 20h45 de um domingo aparentemente comum, a tranquilidade da localidade de Pinhãozinho, em Entre Rios, foi rompida por uma sequência de ligações aflitas. Do outro lado da linha, moradores relatavam o que ninguém espera presenciar: uma casa em chamas. Não por acidente, não por curto-circuito. Mas pelo gesto deliberado de um homem de 58 anos.
Quando a equipe policial chegou, já não havia o que salvar. A residência de madeira, com cerca de 50 metros quadrados, havia sido consumida por completo pelo fogo. O que restava eram marcas negras onde antes havia paredes, o cheiro denso de fumaça no ar e o silêncio pesado de quem assiste, impotente, ao fim de um lar.
O autor do incêndio estava ali. Contido por moradores, amarrado para evitar que ferisse a si mesmo ou a outros. Agitado, confuso, sob efeito de drogas, com leves escoriações no corpo — sinais de um descontrole que não começou no momento em que o fogo tomou a casa. Começou antes, em um território mais difícil de apagar do que as chamas: o da própria condição humana em colapso.
A cena expunha duas tragédias simultâneas. A material, visível, reduzida a cinzas. E a outra, invisível, que se revela no olhar perdido de quem, por razões ainda desconhecidas, decidiu transformar fogo em resposta.
O homem foi levado à UPA do Batel para atendimento médico e, em seguida, encaminhado à Delegacia de Polícia Judiciária. A casa, não. Essa ficou ali, destruída, como testemunha muda de uma noite em que a violência não precisou de armas — bastou uma faísca para transformar um endereço em ruína.
Em Pinhãozinho, ontem, domingo, 22 de fevereiro, não foi apenas uma residência que queimou. Foi mais um retrato de como o descontrole, somado à vulnerabilidade, pode transformar uma comunidade inteira em espectadora de uma tragédia que, muitas vezes, começa muito antes do primeiro fogo.