O silêncio da madrugada na Vila Carli, em Guarapuava, foi brutalmente rompido por uma teia de crimes que se desenrolava nas sombras.
Eram pouco mais das 4h da manhã quando a equipe policial foi acionada para atender a uma ocorrência que, à primeira vista, parecia ser apenas mais um furto qualificado. Mas o que se revelaria, minutos depois, seria um cenário muito mais complexo e sombrio: o desmantelamento de um ponto de tráfico de drogas e receptação de produtos roubados.
A história começou com a audácia de criminosos que invadiram uma empresa e levaram, além de outros objetos de valor, uma caminhonete GM/Montana. Um prejuízo considerável, uma afronta à segurança. Mas havia um detalhe crucial, um "fio da meada" que mudaria todo o rumo da investigação: o veículo possuía um sistema de rastreamento.
A vítima, em desespero, repassou a suposta localização do automóvel à polícia. Com a informação em mãos, a equipe se deslocou rapidamente para o endereço indicado. O que encontraram, porém, era mais do que um simples local de recuperação de um carro roubado. Aquele endereço, na Vila Carli, já era conhecido das autoridades. Denúncias anônimas, inclusive através do Disque 181, apontavam para um ponto de venda de entorpecentes, uma "boca de fumo" ativa.
A tensão era palpável na aproximação. E o faro policial não falhou. No exato momento em que a viatura se aproximava do portão, um homem foi visualizado. Em um movimento brusco, ele tentou a fuga, correndo para o interior da residência. Mas a agilidade dos policiais foi maior. O cerco foi fechado, e o indivíduo, um homem de 39 anos, foi abordado dentro do imóvel.
A busca pessoal revelou a primeira evidência do submundo que ali operava: no bolso do homem, uma pedra de substância análoga ao crack, embalada em papel alumínio, pronta para o consumo ou a venda. Mas ele não estava sozinho. No local, outros dois indivíduos foram abordados: um homem de 36 anos e uma mulher de 60, identificada como a proprietária da residência.
Em um depoimento que lançou luz sobre a dinâmica criminosa do local, a moradora da casa revelou aos policiais que os dois homens haviam chegado ali com um par de tênis – objeto que, mais tarde, seria confirmado como produto do furto à empresa. E a confissão mais chocante: os homens teriam perguntado à proprietária se ela conhecia alguém interessado em comprar uma caminhonete roubada. A prova da receptação, ali, escancarada.
As buscas no imóvel se aprofundaram, e o cenário de crime se expandiu. No sofá, cinco pedras de crack, também embaladas em papel alumínio, evidenciando a prática do tráfico. Na capa do celular da moradora, uma porção de cocaína. Um celular e um rolo de papel alumínio, material comum no preparo de drogas, também foram apreendidos.
Mas a descoberta não parou por aí. Em outro cômodo da casa, uma sacola branca escondia um verdadeiro arsenal do tráfico: seis invólucros de aproximadamente cinco gramas cada de substância análoga ao crack, embaladas em plástico transparente. E, para completar o quadro de receptação, outros objetos furtados foram localizados: um forno micro-ondas, um bebedouro de água e uma chaleira elétrica.
Diante da montanha de evidências, a lei foi aplicada. Os três indivíduos receberam voz de prisão em flagrante. O veículo furtado foi recuperado, e todos os objetos e entorpecentes foram apreendidos. O trio foi encaminhado para a 14ª Subdivisão Policial (SDP) de Guarapuava, onde os procedimentos de polícia judiciária terão continuidade.
A madrugada na Vila Carli revelou a face cruel do crime, mas também a eficiência da ação policial.
Um furto que se transformou na queda de um ponto de drogas, mostrando que, muitas vezes, o fio da meada do crime está mais perto do que se imagina.
MATÉRIA EM VÍDEO NO www.instagram.com/guarapuavafatos