Três horas e trinta e sete minutos da madrugada. O silêncio característico do bairro Industrial, em Guarapuava, é quebrado por mais uma cena de tensão e violência psicológica.
Enquanto a cidade dorme, uma jovem de 28 anos cumpre o seu turno de trabalho no caixa de uma loja de conveniência de um posto de combustíveis. Uma rotina de vigília que, em segundos, se transformaria em desespero.
A porta se abre. Entra um homem vestindo moletom cinza e carregando uma mochila. A atitude inicial não parece levantar suspeitas. Ele caminha com naturalidade pelas prateleiras, pega duas garrafas de bebida alcoólica — avaliadas em cerca de 80 reais cada — e as coloca dentro da mochila.
Mas o objetivo principal ainda estava por vir.
O indivíduo caminha em direção ao caixa. Fica frente a frente com a funcionária. O tom muda, vem a ameaça intimidadora e a exigência direta: todo o dinheiro do estabelecimento. Sob forte pressão e sem qualquer chance de reação, a jovem entrega aproximadamente mil reais que estavam na gaveta.
Com o dinheiro nas mãos e os produtos furtados nas costas, o criminoso dá as costas e desaparece na escuridão da noite. O terror foi tamanho que a trabalhadora, em estado de choque, não conseguiu sequer observar se ele fugiu a pé ou se utilizou algum veículo de apoio.
Quando a Polícia Militar chegou ao local, o gerente auxiliou no acesso imediato ao circuito de monitoramento. E é aí que as imagens revelam um detalhe intrigante: a audácia do suspeito. O homem não se preocupou em cobrir o rosto, agindo de cara limpa diante das lentes de alta definição. As imagens foram repassadas instantaneamente às viaturas de serviço.
Mas o custo daquela madrugada não se mediu apenas em notas levadas da empresa. Mediu-se na saúde mental e física de quem estava apenas cumprindo seu dever.
Tomada por um forte abalo emocional, a jovem funcionária desmoronou no local e precisou de socorro médico urgente. Uma ambulância do Samu foi acionada para contê-la e prestar os primeiros socorros ali mesmo. Em seguida, a vítima precisou ser transportada para a Unidade de Pronto Atendimento do bairro Primavera, onde permaneceu sob cuidados médicos.
As viaturas fecharam o cerco e realizaram buscas pelos bairros vizinhos, mas até as primeiras horas da manhã o autor não havia sido encontrado.
O dinheiro se foi. As garrafas foram levadas. O suspeito segue sendo procurado pela polícia. Mas para aquela trabalhadora de 28 anos, o trauma daquele confronto de madrugada vai demorar muito tempo para ser superado.