Vitória de Nego Silvio revela a capacidade de articulação do prefeito e abre uma nova etapa na relação entre Executivo e Legislativo de Guarapuava.
Na política, há vitórias que se contam pelos votos. E há aquelas que se medem pelo que representam.
A eleição desta terça-feira, na Câmara Municipal de Guarapuava, pertence às duas categorias.
Denilson Baitala sai fortalecido. Seu líder de governo, Nego Silvio (PL), conquistou a presidência do Legislativo para o biênio 2027–2028, com 14 votos.
Não é pouca coisa numa Casa de 21 vereadores, onde cada apoio precisa ser construído e cada aliança tem seu preço político.
O prefeito conseguiu transformar articulação em resultado. E, na política municipal, essa é uma habilidade que faz diferença.
Baitala não elegeu apenas um presidente. Conquistou uma posição estratégica no tabuleiro político da cidade.
A presidência da Câmara tem autonomia institucional, atribuições próprias e responsabilidades que não se confundem com as do Executivo. Mas ninguém ignora o peso político de ter à frente do Legislativo um aliado que até aqui ocupava a liderança do governo.
É uma relação que pode facilitar o diálogo, dar mais previsibilidade à tramitação de projetos e reduzir o espaço para conflitos desnecessários entre os dois poderes.
O que não significa, naturalmente, que a Câmara deva abrir mão de sua independência.
A POLÍTICA É A ARTE DE REUNIR VOTOS
Nego Silvio recebeu 14 votos na disputa pela presidência. Professor Saulo (Novo) obteve quatro, enquanto Cris Wainer (PT) recebeu dois.
Na votação para os demais cargos da Mesa Executiva, a Chapa 1, encabeçada por Nego Silvio, alcançou 15 votos. A composição reúne vereadores de diferentes partidos, numa demonstração de que a construção política ultrapassou as fronteiras de uma única legenda.
E aqui está o ponto que merece atenção.
Em vez de se limitar à escolha de um nome, a negociação resultou numa composição para conduzir o Legislativo pelos próximos dois anos.
A presidência é o posto de maior visibilidade, mas os demais cargos também integram a estrutura de comando da Casa.
Na prática, o resultado oferece a Baitala uma base política organizada para iniciar o próximo período legislativo.
O QUE MUDA PARA BAITALA?
O prefeito terá diante de si uma Câmara cuja presidência será ocupada por seu atual líder de governo. Isso pode facilitar a interlocução política, mas também eleva a responsabilidade dos dois lados.
Baitala precisará demonstrar que sabe conduzir sua base sem transformar apoio parlamentar em obediência automática. Nego Silvio, por sua vez, terá de mostrar que consegue presidir a Câmara com equilíbrio, respeitando os diferentes partidos e assegurando espaço para a fiscalização do Executivo.
A política não se encerra na eleição. Começa uma nova etapa, na qual os acordos serão testados pela rotina legislativa, pelos projetos enviados à Câmara e pelas decisões que afetam a população.
Por enquanto, o dado concreto é este: Baitala conseguiu reunir apoio para colocar seu líder na presidência do Legislativo. O resultado fortalece sua posição política e demonstra capacidade de articulação num momento importante da política guarapuavana.
Os próximos dois anos dirão até onde essa força será capaz de chegar.
Porque, na política, conquistar a presidência é uma coisa. Manter uma base coesa, aprovar projetos e entregar resultados é outra.
E é justamente aí que começa o próximo capítulo.
Composição da Mesa Executiva eleita para o biênio 2027–2028:
- Presidente: Nego Silvio (PL)
- 1º vice-presidente: Dr. Rodrigo Crema (Republicanos)
- 2º vice-presidente: Vardinho (Cidadania)
- 1º secretário: Pedro Moraes (MDB)
- 2º secretário: Cristóvão da Cruz (Novo)
- 3º secretário: Kenny do Cartório (MDB)
