Imagine só: ontem exatamente no dia em que o Estatuto da Criança e do Adolescente completa 36 anos de existência, a lei que deveria proteger nossas crianças como um escudo sagrado... a realidade, mais uma vez, nos dá um tapa na cara.
Na noite de on tem dia do ECA segunda-feira, 13 de julho, em Guarapuava, no bairro Morro Alto, a Polícia Militar agiu rápido num ponto já conhecido por denúncias de tráfico. E o que os militares encontraram? Uma mulher de 35 anos, em plena ação.
Eles viram ela entregando algo para um homem. Abordagem feita: com o comprador, dois invólucros de crack. Ele confessou que tinha acabado de comprar ali. A mulher, ao ver a polícia, ainda tentou correr para dentro de casa. Mas não adiantou.
Dentro da residência, a PM apreendeu 6,09 gramas de crack já fracionado e pronto para a venda, uma porção maior, R$ 418,60 em dinheiro miúdo, balança de precisão, embalagens e quatro celulares. O pior: ela confessou tranquilamente que vendia crack há quatro meses. Dinheiro sujo do veneno que destrói famílias.
Mas o que mais choca, o que não sai da cabeça, é isso: havia uma criança de apenas três anos dentro daquela casa. Três anos! Uma inocente no meio do tráfico, no meio do crack, no meio do inferno que a própria mãe criava.
O Conselho Tutelar foi acionado e, graças a Deus, a menina foi acolhida pela avó materna. Mas a pergunta que fica no ar, neste dia de "comemoração" do ECA, é: onde estava o Estatuto da Criança e do Adolescente enquanto essa mãe transformava o lar da filha num ponto de venda de droga?
ECA não é só uma lei no papel. Ele existe para proteger. E casos como esse mostram que, muitas vezes, a proteção chega tarde demais. Chega depois da abordagem policial. Chega depois que a criança já viveu o que nunca deveria ter vivido.
Que este aniversário do ECA sirva não só para festa, mas para um grito de alerta: precisamos que a lei seja cumprida de verdade, com rigor, com rapidez e, acima de tudo, antes que nossas crianças paguem o preço mais alto.
