A eleição para o comando do Legislativo deixou dois grupos políticos sem representação na Mesa Executiva. Na política, perder espaço também tem significado.
A eleição da nova Mesa Executiva da Câmara de Guarapuava não terminou apenas com a escolha de um presidente e seus secretários. Deixou também um recado político: na composição que comandará a Casa em 2027 e 2028, PP e PT ficaram de fora.
No jogo das articulações, há quem consiga sentar à mesa e há quem precise assistir de fora. Desta vez, os vereadores ligados ao deputado estadual eleito César Silvestri, do PP, e ao deputado Dr. Antenor, do PT, não conquistaram lugar na direção do Legislativo.
O resultado tem endereço e protagonistas.
Pelo lado do PT, as vereadoras Professora Terezinha e Cris Wainer ficaram sem espaço na Mesa. Pelo PP, Professor Pablo e Ike Silvestri também não conseguiram uma cadeira na composição.
Não é pouca coisa. A Mesa Executiva não se confunde com o plenário inteiro, mas ocupa posição estratégica na organização e na condução dos trabalhos legislativos.
ANTENOR PERDE TERRENO
Para o PT, o resultado chega depois de um recuo eleitoral expressivo de Dr. Antenor em Guarapuava.
Em 2022, ele recebeu 25.156 votos no município na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa. Em 2026, somou 17.474. A redução foi de aproximadamente 30%. Não chegou à metade, como se poderia supor, mas representa uma perda considerável de votos na sua principal base eleitoral.
Agora, a ausência do partido na Mesa da Câmara acrescenta outro elemento ao cenário político local.
É preciso cautela para não confundir uma eleição interna com um julgamento definitivo sobre a força de um partido. Mas o fato é que o PT não garantiu representação na estrutura que conduzirá o Legislativo pelos próximos dois anos.
O PP DE CÉSAR TAMBÉM FICOU DE FORA
O outro lado dessa história é o PP, partido do deputado estadual eleito César Silvestri.
Mesmo com o desempenho eleitoral de César, que recebeu 31.982 votos em Guarapuava na eleição de 2026, a legenda não conseguiu emplacar seus representantes na Mesa Executiva. Professor Pablo e Ike Silvestri ficaram fora da composição.
É aí que a política mostra uma de suas particularidades: força eleitoral e espaço institucional nem sempre caminham juntos.
Uma votação expressiva nas urnas não garante, automaticamente, lugar no comando do Legislativo. Para isso, entram em cena as negociações, os acordos e a capacidade de reunir apoio entre os próprios vereadores.
CINCO PARTIDOS, SEIS CADEIRAS
A Mesa Executiva eleita reúne PL, Republicanos, Cidadania, MDB e Novo. O MDB ficou com duas posições; as outras quatro legendas ocuparam uma cadeira cada.
O desenho final mostra uma composição construída entre cinco partidos, sem espaço para PP e PT.
A eleição passou. Os cargos foram distribuídos. E os grupos que ficaram de fora terão de encontrar outras formas de exercer influência no plenário.
Porque, na política, uma coisa é disputar o poder. Outra é conseguir lugar onde as decisões sobre o funcionamento da Casa são conduzidas.
A nova Mesa já tem seus nomes. O que ainda precisa ser demonstrado é como essa composição vai se traduzir na prática legislativa e nas relações entre os diferentes grupos políticos de Guarapuava.