Era quase cinco da tarde de quinta-feira quando a viatura do 16º Batalhão da Polícia Militar entrou no Boqueirão, em Guarapuava. Os policiais viram o jovem de 18 anos conversando com uma mulher já conhecida por eles pelo uso de crack. No instante em que perceberam a aproximação da viatura, ele lançou um pacote plástico num terreno baldio ao lado e tentou se afastar.
Na abordagem, encontraram com ele 24 gramas de maconha fracionada e embalada em filme plástico, R$ 654 em notas de valores variados e um celular branco. Com a mulher, acharam uma tulipa — o cachimbo improvisado, geralmente de vidro ou metal, usado para fumar a pedra — e um isqueiro.
O pacote jogado no terreno continha seis pedras de crack prontas para venda. Questionado, o rapaz admitiu que estava ali para vender duas delas à mulher por R$ 20. Ela confirmou.
Com autorização judicial, os policiais foram à casa dele, ao lado do local da abordagem. No quarto, sobre um prato dentro do guarda-roupa, havia porções de crack e maconha e uma balança de precisão ligada. Embaixo do colchão, o volume maior: um tablete de maconha de 708 gramas.
O jovem e a mulher foram levados à 14ª Subdivisão Policial, junto com o dinheiro, o celular e o material apreendido. Os objetos foram lacrados e catalogados para garantir a cadeia de custódia — o registro que acompanha a prova do flagrante até o processo. A Polícia Militar age no momento da ocorrência; a Polícia Judiciária (a Civil) conduz a investigação formal e o inquérito.
O fato foi registrado como suspeita de tráfico, conduta do artigo 33 da Lei de Drogas (Lei 11.343/2006). A pena prevista é de reclusão de 5 a 15 anos, além de multa. Se o acusado for primário, tiver bons antecedentes e não se dedicar de forma habitual ao crime nem integrar organização criminosa, a lei permite o chamado tráfico privilegiado, que reduz a pena de um sexto a dois terços. A definição disso, no entanto, cabe ao juiz depois da apuração completa.
O que se viu no Boqueirão é o comércio que se organiza em terrenos e casas comuns: a quantidade pequena e fracionada para a venda imediata e o volume maior guardado em casa. A PM interrompeu a operação naquele momento. O restante da história, incluindo se haverá ou não redução de pena, agora depende do inquérito e do julgamento.
