Era uma tarde comum em um supermercado do bairro Batel, em Guarapuava. Pessoas escolhendo arroz, feijão, café... aquela rotina de quem entra no mercado pensando: "vou gastar pouco hoje".
Até que duas peças de picanha resolveram mudar o roteiro.
O valor da compra? R$ 224,73.
O tamanho do problema? Bem maior.
Segundo informações da Polícia Militar, um homem de 27 anos foi abordado pela equipe de segurança do estabelecimento após suspeita de furto.
E aqui começa uma história que parece roteiro de comédia, mas terminou na delegacia.
Porque normalmente a pessoa entra no mercado pensando em levar uma promoção de sabão em pó, uma bolacha ou um refrigerante.
Mas esse cidadão aparentemente olhou para a picanha e pensou:
"Hoje o churrasco vai acontecer... nem que a investigação aconteça junto."
Segundo o relato da representante do supermercado, de 44 anos, o homem teria abandonado a cesta de compras e escondido as duas peças de carne debaixo da jaqueta.
Agora, vamos imaginar a cena:
O mercado cheio.
Gente passando.
Carrinho fazendo barulho.
E lá está o cidadão tentando transformar uma jaqueta em uma churrasqueira portátil.
Porque esconder duas picanhas não é exatamente aquela operação discreta. É quase carregar um travesseiro embaixo da roupa e dizer que é frio.
A abordagem aconteceu na parte externa do estabelecimento, depois que o suspeito teria passado pelos caixas sem realizar o pagamento.
Aos policiais, o homem teria afirmado que retirou os produtos para consumo próprio e que a carne seria destinada à alimentação da família.
Uma justificativa que levanta uma reflexão:
A situação mostra uma realidade complicada. De um lado, existe o argumento da necessidade. Do outro, existe uma regra básica: supermercado não funciona no sistema "pega agora e paga quando der".
E a picanha, que nasceu para reunir família no domingo, acabou reunindo foi policial, segurança e boletim de ocorrência.
Segundo a representante do supermercado, o homem já seria suspeito de envolvimento em outros furtos no estabelecimento. Essa informação, porém, faz parte do relato apresentado à polícia e não representa condenação ou comprovação de outros crimes.
As duas peças de carne foram recuperadas e encaminhadas junto com o suspeito e a representante do supermercado para a 14ª Subdivisão Policial, onde o caso foi apresentado.
O registro foi feito como furto simples.
E agora vem a parte que muita gente pergunta:
"Mas qual é a punição para isso?"
No caso de furto simples, previsto no artigo 155 do Código Penal, a pena prevista é de reclusão de 1 a 4 anos, além de multa.
Mas a situação pode depender de vários fatores: valor do produto, antecedentes, circunstâncias do caso e decisões da Justiça.
Existe também a possibilidade de aplicação do chamado princípio da insignificância em algumas situações envolvendo valores muito baixos e quando determinados requisitos são preenchidos, mas isso não acontece automaticamente e depende da análise do caso concreto.
No fim das contas, uma história que começou com duas peças de picanha terminou com uma pergunta maior:
Será que o problema estava apenas no preço da carne...
ou no tamanho da fome?
Porque no Brasil até o churrasco às vezes precisa passar primeiro pela investigação.
