Foi essa a pergunta que o vereador e advogado Elcio José Melhem levou à tribuna da Câmara Municipal: alguém ouviu o governo autorizar, da noite para o dia, aumento de combustível no Paraná ou na cidade?
Melhem, legislador que não recua diante de um bom combate, acionou órgãos de controle de preços e denunciou o que considera uma alteração abrupta e simultânea nos valores do diesel e da gasolina — alteração que atinge diretamente quem trabalha, transporta e abastece.
“De uma hora para outra, sem mais nem menos, subiram o preço do diesel e da gasolina. Na sexta-feira estava R$ 6,39. No sábado amanheceu R$ 6,89.”
O vereador reforçou que o movimento parece manobra. E fez o contraste que o consumidor percebe na rua: postos tradicionais, como os antigos Guairacá, Tio Branda e Posto 13, não acompanharam a alta. Continuaram com os mesmos preços. Em alguns casos, até menores. “Aquele posto na Capitão Rocha, em direção à Vila Carli, está menor ainda: R$ 6,14.”
Melhem não se limitou à tribuna. Encaminhou a denúncia ao Procon de Guarapuava e pediu fiscalização.
“Estou pedindo ao Procon para fazer uma fiscalização, pois acho que esses valores estão sendo manipulados. Salvo melhor juízo, eu que assisto televisão dia e noite não vi e não ouvi que o governo tivesse aumentado o combustível.”
A denúncia já está nas mãos do órgão. Cabe agora à fiscalização cruzar notas fiscais, custos de aquisição e os preços praticados nas bombas — e responder, com documentos, se o aumento simultâneo tem lastro ou se o cidadão está pagando o preço de um alinhamento que o mercado livre não deveria permitir.
Em Guarapuava, como em tantas cidades do interior, o combustível não é só número na bomba. É custo de vida, de frete, de produção. Quando o preço sobe junto, no mesmo fim de semana, e parte dos postos fica de fora da festa, a pergunta que Melhem fez na Câmara deixa de ser retórica: quem autorizou — e a quem interessa?
