DROGAS EM GORPA : Ele vestia a mochila de quem entrega comida. Levava, dentro dela, o que não se entrega à luz do dia

 

                        Imagem ilustrativa 


A operação de bloqueio de trânsito estava montada na área central quando os dois policiais militares viram a motocicleta vermelha passar. Não era o veículo que chamava atenção. Era o condutor. Ele olhou para a barreira, calculou a distância, e fez aquilo que todo mundo que tem algo a esconder faz quando percebe que a conta chegou: tentou se livrar da prova antes que alguém perguntasse o que ele carregava.


Foi rápido. O homem de 23 anos jogou objetos em um estacionamento de motocicletas no acostamento da via, gesto de quem sabe exatamente o que está fazendo, e na sequência abriu o acelerador para sumir dali. Não sumiu. Um policial militar que também conduzia uma motocicleta da corporação percebeu o movimento e saiu atrás, cortando a fuga antes que ela virasse fuga de verdade.


A abordagem foi tudo menos tranquila. Encurralado, o condutor apontou a moto contra a motocicleta policial e contra o militar que estava nela. Jogou o veículo em cima do policial, tentando atingi-lo. Não conseguiu. Foi contido, dominado e colocado sob controle. Na busca pessoal, nada. Bolso vazio, corpo limpo. Aquele tipo de revista que dá a sensação errada de que não há nada ali.

Havia. Estava a vinte metros de distância, no chão do estacionamento onde ele tinha dispensado a carga minutos antes.


A equipe caminhou até o ponto e encontrou

 o que o homem tinha tentado deixar para trás: 25 porções de substância análoga à cocaína, cada uma embalada individualmente em saquinhos do tipo zip lock, do jeito que se prepara para vender e não para consumo próprio. Vinte e três gramas no total. Peso pequeno, significado grande. Droga fracionada, pronta, contada, esperando comprador.


Junto com os entorpecentes, foi apreendido o celular do abordado, um POCO preto, aparelho que agora passa a interessar bastante a quem vai investigar de quem eram os contatos, os pedidos, as rotas e os valores.


O detalhe que fecha a história estava nas costas dele. O homem usava uma mochila de entregas. Se passava por motoboy. Circulava como motoboy. Fazia o transporte e a entrega de entorpecentes com a mesma naturalidade com que milhares de trabalhadores cruzam a cidade todos os dias levando comida, documento, encomenda. A farda do delivery virou disfarce, e a motocicleta, que deveria ser ferramenta de trabalho, virou instrumento de crime.

Diante dos fatos, foi dada voz de prisão ao condutor pelo crime previsto no artigo 33 da Lei nº 11.343/2006, o tráfico de drogas. Ele foi encaminhado à 14ª Subdivisão Policial, algemado e conduzido no compartimento de presos da viatura, conforme os protocolos de segurança aplicáveis.


A motocicleta vermelha também foi apreendida. Não pelo que ela é, mas pelo que ela servia: veículo usado como instrumento para a prática do comércio ilícito, e que agora fica retido enquanto o caso segue seu curso.

O que sobra da ocorrência é o retrato de sempre. Um homem jovem, uma moto barata, uma mochila de aplicativo, um celular, vinte e três gramas de cocaína divididas em vinte e cinco porções e um estacionamento de acostamento onde tudo quase desapareceu. 

Quase. Porque a vinte metros da abordagem, no chão, a prova estava esperando por quem tivesse paciência de ir até lá buscar.


GUARAPUAVA FATOS

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