Eram 19h20 quando a denúncia chegou. Um Fiat/Siena vermelho transitava em alta velocidade pelas ruas da Colônia Vitória, em Entre Rios, distrito de Guarapuava, e em determinado momento teria quase atropelado uma criança que caminhava pela via. Quem ligou não precisou de muitos detalhes.
Carro vermelho, velocidade alta, criança na rua. O resto a equipe policial completou sozinha.
O patrulhamento começou pela área e não demorou. Algumas quadras depois, os policiais visualizaram o automóvel. Foi o suficiente. Ao notar a presença da viatura, o condutor do Siena mudou de direção, pisou no acelerador e virou numa rua sem saída. A escolha, no fim, disse tudo. Sem para onde ir, ele parou em frente a uma residência.
Foi nesse momento que a equipe conseguiu dar voz de abordagem. O homem desceu, foi revistado, e nada de irregular apareceu com ele. Nenhum ilícito, nenhuma pendência pessoal. O problema não estava no condutor. Estava no carro.
Consultado o sistema operacional, a equipe confirmou que o motorista era habilitado.
Podia dirigir. O veículo, porém, carregava débitos acumulados desde 2022, uma dívida antiga que andava junto com ele por todas aquelas ruas.
E havia mais. Itens obrigatórios de segurança estavam faltando ou quebrados: o espelho retrovisor esquerdo, danificado, e o macaco, o estepe e a chave de roda, simplesmente inexistentes. Se um pneu furasse naquela noite, naquela velocidade, com uma criança na calçada, não haveria o que fazer além de esperar.
Diante dos fatos, o veículo foi recolhido ao pátio do Destacamento de Entre Rios. Coube à equipe policial, ao final, a preparação do boletim de ocorrência.
Ninguém foi preso.
Não houve flagrante, não houve algema, não houve compartimento de viatura. Apenas um carro vermelho que correu demais, uma denúncia que chegou a tempo e uma rua sem saída que obrigou a corrida a parar onde ela deveria ter parado desde o começo: em frente a uma casa, com a polícia atrás.