A noite eleitoral já tinha sido atípica. Com um cenário de tensão, o ministro do STF Cristiano Zanin — ex-advogado de Lula — assinou uma decisão monocrática que prorrogou a votação por duas horas em todo o país. A medida, tomada a poucos minutos do encerramento oficial, pegou o TSE de surpresa e abriu um flanco para questionamentos jurídicos. Foi o estopim para um clima de incerteza que pairava no ar.
E foi nesse ambiente que Lula fez seu primeiro pronunciamento. Não houve tom de conciliação. O presidente reeleito não apenas defendeu a polêmica decisão de Zanin, como foi além: chamou o adversário, Flávio Bolsonaro, de “representante genuíno do milicianismo” e o acusou de mentir com “desfaçatez”.
Mas o trecho que mais acendeu o alerta vermelho foi sobre a imprensa e a internet. Lula detonou jornalistas e, em um anúncio que promete mudar os rumos do país, foi categórico: “Vamos ter que regulá-las”, referindo-se às plataformas digitais. Ele ainda prometeu que a “comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande” em seu novo governo e que não permitirá “ser interpretado por jornalista de má-fé”.
O recado está dado. O país que já estava rachado, agora tem um novo ingrediente: a promessa de controle sobre o que se fala e se publica na rede. A tempestade política está apenas começando.
